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Quedas em Chicago, e pressão nas praças de soja do Brasil





O último dia de negócios da semana começa com a soja na Bolsa de Chicago registrando quedas entre 0,60% e 0,70% nas cotações. Enquanto isso, o óleo de soja apresenta recuo ainda mais forte, com baixas próximas de 1,30% na bolsa.


A soja ainda sente os reflexos da valorização do dólar ontem, já que, com o dólar mais caro, as commodities americanas ficam mais caras. Porém, a queda do óleo de soja na CBOT hoje exerce forte influência negativa sobre as cotações da soja.


Entenda, produtor, como o mercado é complexo: uma simples notícia não é suficiente para compreender o cenário — apenas uma análise detalhada permite essa leitura.


Ontem, o petróleo chegou a subir cerca de 3%, após Trump aproximar navios da costa do Irã, elevando ainda mais as tensões no Oriente Médio. Essa alta do petróleo deveria ter trazido bons ganhos para a soja e para o óleo de soja, mas isso não ocorreu devido à forte alta do dólar no mesmo dia. Já nesta sexta-feira, o petróleo amanhece em queda, recuando cerca de 1,20%, possivelmente após Trump declarar, ao fim do dia de ontem, que tentará primeiro um diálogo com o Irã.


Quando falo da complexidade do mercado, temos um exemplo claro hoje: o óleo de palma cai na Malásia, junto com o petróleo, o que pressiona o óleo de soja e, logo em seguida, a soja na Bolsa de Chicago.


Sabemos que Chicago está em queda, mas agora vamos falar do físico.


*Prêmios e soja no mercado físico:*

Os produtores brasileiros venderam, apenas nesta semana, 2,5 milhões de toneladas de soja. No acumulado, janeiro encerrou com quase 10 milhões de toneladas vendidas pelos produtores brasileiros.


O que se observa é que os compradores internos estão com menos interesse na soja no curto prazo — de fevereiro até a primeira quinzena de março. Mesmo com preços baixos e margens ruins, o produtor precisou vender para arcar com seus compromissos para 30/04 e diante das sinalizações de queda nos preços do mercado interno.


É importante ficarmos atentos a como o mercado físico está se comportando: produtores vendendo bons volumes para pagar custos, a China já 100% comprada para fevereiro e, em breve, completando suas compras de março; colheita mais avançada em algumas regiões; expectativa de safra recorde; e, para completar o cenário, a promessa da China de comprar 25 milhões de toneladas de soja americana, o que reduz qualquer sinal de escassez no mercado chinês, deixando o país completamente confortável nas compras.


Os riscos para os prêmios são grandes. Podemos ver quedas de preços à medida que o Brasil se aproxima de 50% da soja colhida, independentemente de a soja em Chicago continuar subindo ou não. Ainda assim, o produtor tem a oportunidade de realizar travamentos completos ou parciais da soja ainda não vendida.




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